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O meio-campista toca de primeira para o atacante, que encobre o goleiro, e é... goool! O médico Vitor Mourad, de 57 anos, cabelos grisalhos e andar vagaroso, comemora como se tivesse feito um golaço de bicicleta no Estádio do Morumbi. Para imitar o som de fogos de artifício, joga... |
Brincadeira de marmanjo
Campeonato de futebol de mesa,o velho botão, atrai 320 fanáticos
Rodrigo Brancatelli
 Daniela Toviansky Partida no Pirajá: primeiro torneio interbotecos
O meio-campista toca de primeira para o atacante, que encobre o goleiro, e é... goool! O médico Vitor Mourad, de 57 anos, cabelos grisalhos e andar vagaroso, comemora como se tivesse feito um golaço de bicicleta no Estádio do Morumbi. Para imitar o som de fogos de artifício, joga biribinha no chão. O fato de ter apenas empurrado uma bolinha de feltro com 1 centímetro de diâmetro para dentro de uma caixa com 5 centímetros de altura é mero detalhe. Para Mourad, um jogo de futebol de mesa é sempre uma coisa séria. "Brinco de botão desde os 10 anos de idade, quando vencia todo mundo lá no quintal de casa", diz. "Duas vezes por semana, limpo meus times com uma cera especial importada da França." O médico é um dos 320 fanáticos inscritos no 1º Torneio "Interbotecos" de Futebol de Mesa. Patrocinado por uma marca de cerveja, o evento começou na terça-feira passada e os jogos irão ocorrer durante todo o mês de julho, em dez bares da cidade. Quem vencer disputará uma finalíssima com o campeão do torneio realizado simultaneamente no Rio de Janeiro. O prêmio será uma viagem a Brasília para assistir à partida – de futebol de verdade – entre Brasil e Chile pelas eliminatórias da Copa do Mundo.
O futebol de mesa foi criado em 1922, pelo carioca Geraldo Decourt, com base em um jogo europeu. Ele utilizava botões de verdade, arrancados das próprias cuecas. Com o tempo, os botões ganharam cores e modelos variados. A modalidade acabou sendo reconhecida pelo Conselho Nacional de Desportos. Mas ainda há diferenças entre as regras adotadas pelas onze federações existentes no país (veja algumas delas no quadro). Em geral, os aficionados são adultos – como o compositor Chico Buarque. Os mais entusiasmados mandam fazer camisetas comemorativas, usam amuletos e vão com torcida organizada aos encontros. "Já conheci gente que dá banho nos botões e leva o seu preferido ao cinema dentro do bolso", conta o empresário Edson Coelho, dono de uma loja especializada em futebol de mesa.

As origens do futebol de botão
Por Cristian Cancino
As origens do futebol de mesa - ou futebol de botão, como é popularmente conhecido - são tão incertas quanto as histórias que tentam dar conta da invenção do esporte mais popular do planeta, o futebol de campo.
Tudo indica que o jogo de botão é genuinamente brasileiro e teria começado a ser praticado no Pará, por volta da década de 20. A novidade chegou rápido ao Rio de Janeiro e lá o esporte ficou sendo conhecido pelo publicitário Geraldo Décourt (foto), que seria o primeiro a preparar um livro definindo regras oficiais para seus praticantes.
Décourt conheceu o futebol de botão ainda criança. Em 1929, com dezenove anos de idade, emprestou ao jogo o nome Celotex, produto feito de bagaço de cana-de-açúcar usado na época para a confecção das mesas. O Celotex vinha de uma fábrica de Chicago, nos Estados Unidos.
O "pai do botonismo" seguiu organizando campeonatos e tratando de popularizar o esporte no país. Os garotos das escolas do Rio logo descobriram a diversão. Como eles jogavam usando os próprios botões das calças, diz-se que nos anos 40 algumas instituições de ensino chegaram a proibir o jogo, já que as crianças voltavam dos intervalos para as salas de aula segurando as calças com as mãos.
Em 1988 o Conselho Nacional do Desporto reconheceu o futebol de botão como esporte legítimo e oficializou as três modalidades praticadas até hoje: a baiana (o jogador dá apenas um toque na bola em cada lance), a carioca (três toques por jogador) e a paulista (doze toques).
CLUBES PARA PRATICAR E COMPETIR
Associação Beneficiente Recreativa Vila Barcelona - ABREVB Avenida Presidente Kennedy, 2300, Bairro Olímpico, São Caetano do Sul, 4221-4422
Círculo Militar de São Paulo Rua Abílio Soares, 1589, Ibirapuera, São Paulo, 3208-2413
Clube 2004 de Santos Avenida Dino Bueno, 95, Ponta da Praia, Santos, (13) 3261-2004 ou 3261-6058
Clube de Regatas Tietê Avenida Santos Dumont, 843, Ponte Pequena, São Paulo, 228-5244
Liga Jacareíense de Futebol de Mesa Rua Orlando Hardt, 194, Centro, Jacareí, (12) 3952-2363 e 9761-4848
Meninos Futebol Clube Avenida Caminho do Mar, 3222, Rudge Ramos, São Bernardo do Campo, 4368-8499
Santos Futebol Clube Rua Princesa Isabel, s/n, Vila Belmiro, Santos, (13) 3239-4000
São Judas Rua Clark, 162, Mooca, São Paulo, 6605-6422
Sociedade Amigos da Vila Maria Zélia Rua José Alves de Oliveira, 256, Belenzinho, São Paulo, 3154.8323 e 9704-9970
Sociedade Esportiva Palmeiras Rua Turiassu, 1840, Água Branca, São Paulo, 3873-2111
Sport Clube Corinthians Paulista Rua São Jorge, 777, Tatuapé, São Paulo, 6942-9633
http://veja.abril.com.br/vejasp/130705/diversao.html
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