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| Arte popular em evidência | |
Uma vez mais, como tem ocorrido nos últimos treze anos, a Biblioteca Infantil Municipal Renato Sêneca de Sá Fleury escancara as portas e janelas de sua centenária sede à rua da Penha, 673, para uma manifestação artística que está umbilicalmente ligada à identidade cultural do povo brasileiro: a arte circense. Aberta na quarta-feira, com a inauguração de uma exposição fotográfica e apresentação da banda Francisco Dimas de Melo, a 13ª Semana do Circo é uma oportunidade preciosa para o povo de Sorocaba entrar em contato com suas raízes e sua história, através de um evento lúdico e enriquecedor. |
Arte popular em evidência
Graças à Semana do Circo, criada a partir de uma idéia do artista Tim Davis, que hoje reside no Japão, toda uma geração de artistas circenses voltou à atividade em Sorocaba
Uma vez mais, como tem ocorrido nos últimos treze anos, a Biblioteca Infantil Municipal Renato Sêneca de Sá Fleury escancara as portas e janelas de sua centenária sede à rua da Penha, 673, para uma manifestação artística que está umbilicalmente ligada à identidade cultural do povo brasileiro: a arte circense.
Aberta na quarta-feira, com a inauguração de uma exposição fotográfica e apresentação da banda Francisco Dimas de Melo, a 13ª Semana do Circo é uma oportunidade preciosa para o povo de Sorocaba entrar em contato com suas raízes e sua história, através de um evento lúdico e enriquecedor.
Entre os destaques da programação, inteiramente gratuita, estão uma palestra da pesquisadora Ermínia Silva, da Unicamp (na terça, 27, às 19h), um encontro de famílias circenses (dias 27 e 28) e apresentações de comédias e shows de variedades (dias 29 e 30, às 9h, 14h e 19h), na tenda de circo montada no quintal da biblioteca.
Durante toda a semana, quem passar pelo casarão construído em 1897 (o único imóvel público da região central que ainda mantém as características arquitetônicas do século XIX), poderá apreciar as fotos reunidas pelo pesquisador José Rubens Incao, administrador da biblioteca, que formam um interessante painel de personagens que se destacaram nos palcos e picadeiros da região, como o Índio Ordep, o palhaço Fedegoso, o mágico Cheles, Aleixo Remeleixo, Nhô Frozino e tantos outros.
Graças à Semana do Circo, criada a partir de uma idéia do artista Tim Davis (Agostinho Shigemura Carvalho), que hoje reside no Japão, toda uma geração de artistas circenses voltou à atividade em Sorocaba, revivendo no quintal da biblioteca antigos sucessos do circo-teatro e encantando um grupo de jovens artistas do teatro amador, que tinha à frente o diretor Carlos Roberto Mantovani.
Foi num encontro entre Mantovani e o artista da velha-guarda Blaque Cavalcante que surgiu a idéia de remontar um clássico do circo-teatro, o drama ...E o Céu uniu dois corações. O projeto, interrompido com o falecimento prematuro de Mantovani, em 2003, foi retomado por seus amigos de teatro Daher Celidônio, Tiago Oliveira e Rodolfo Amorim, que, à frente do Grupo Manto (assim chamado em homenagem póstuma ao seu mentor), conseguiram financiamento da Lei de Incentivo à Cultura (Linc) e reuniram, sob a lona, os jovens do grupo teatral, a nova geração do circo e dois artistas que são a própria história do teatro circense na região, Guaraciaba Malhone e Hudi Rocha.
A temporada foi um sucesso, com um público de seis mil pessoas em trinta apresentações. No ano passado, foi a vez dos artistas veteranos receberem financiamento da Linc, para uma temporada que se estendeu de agosto de 2006 a fevereiro deste ano. Foram dezenas de sessões gratuitas, em que o público sorocabano pôde rever ou conhecer textos que faziam a alegria das platéias do Circo-teatro Guaraciaba, como Cara suja, Velório à brasileira e Paz, amor e confusão.
Em parte, esse é o legado da Semana do Circo, que, despretensiosamente, acabou detonando todo um processo de redescoberta e valorização de uma das formas mais autênticas de arte popular brasileira. Um teatro terra-terra, feito pelo povo e para o povo, que julgara-se quase extinto, mas assiste, em todo o Brasil, a um inegável renascimento.
A partir desse trabalho, realizado com empenho e paixão pela equipe da Biblioteca Infantil e Secretaria Municipal de Cultura, um público formado por estudantes e operários, senhoras de terceira idade e crianças, professores, metalúrgicos e policiais, reencontrou o fascínio de uma arte teatral espontânea, singela e bem-humorada, que é a cara e a alma do povo brasileiro.
Fonte : jornal Cruzeiro do Sul
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