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     Obras de arte nas ruas não atraem apoio de empresas

    Elas têm valor artístico, histórico e turístico e estão em áreas de grande circulação de pessoas, mas agonizam a céu aberto, à vista do poder público e sob o desinteresse da iniciativa privada. São Paulo tem cerca de 400 obras de arte (monumentos, esculturas, estátuas, bustos, painéis e outros) em praças, parques e vias públicas, mas a maioria espera há anos por uma restauração. Criado em 1994, o programa Adote uma Obra Artística visava dividir com a iniciativa privada a restauração e conservação dessas obras, mas hoje só 33 estão sob a guarda de alguma empresa.

    Obras de arte nas ruas não atraem apoio de empresas

    Monumentos, estátuas, bustos e painéis aguardam "adoção" privada

    De 400 obras na cidade de São Paulo, apenas 33 estão sob adoção, sendo que 30 delas por uma só empresa, a Votorantim

    JOSÉ BENEDITO DA SILVA
    DE SÃO PAULO

    Elas têm valor artístico, histórico e turístico e estão em áreas de grande circulação de pessoas, mas agonizam a céu aberto, à vista do poder público e sob o desinteresse da iniciativa privada.
    São Paulo tem cerca de 400 obras de arte (monumentos, esculturas, estátuas, bustos, painéis e outros) em praças, parques e vias públicas, mas a maioria espera há anos por uma restauração.
    Criado em 1994, o programa Adote uma Obra Artística visava dividir com a iniciativa privada a restauração e conservação dessas obras, mas hoje só 33 estão sob a guarda de alguma empresa.
    O fiasco seria maior se o grupo Votorantim não tivesse, em 2008, assumido 30 obras, como o Monumento às Bandeiras (Ibirapuera).
    Há três motivos para o desinteresse privado: a falta de incentivos fiscais (que turbinam o marketing cultural das empresas), a Lei Cidade Limpa (que limita a exploração publicitária da restauração) e o alto risco da manutenção.
    Boa parte das obras fica em áreas centrais, degradadas ou desprotegidas, como Sé, República e Luz, sob a ameaça de depredação, furto, pichação e mau uso por moradores de rua e viciados.
    "Não adianta recuperar um monumento e, depois, vai alguém lá e monta uma barraca", diz Francisco Zorzete, diretor da Companhia de Restauro, que tem mais de cem restaurações na cidade.
    Como outros envolvidos na questão, ele defende mudanças na lei e maior participação do poder público.
    A maior parte das obras adotadas está em boas condições, como as esculturas da praça Dom José Gaspar (República). Outras já têm pichações, como a estátua de Anchieta (Sé) e a escultura Amor Materno (Arouche).
    A prefeitura restaurou algumas esculturas (as últimas em 2008), mantém uma rotina de limpezas e definiu uma lista de 25 obras prioritárias, que serão restauradas nem que seja com verba pública.
    A primeira será a Fonte Monumental, na praça Júlio de Mesquita (República), cujo projeto está sendo contratado. O custo da restauração deve superar R$ 350 mil.
    Depois, vem o monumento Amizade Sírio-Libanesa, na região da rua 25 de Março -mesmo com a praça toda gradeada, a obra foi pichada e teve partes arrancadas.
    Segundo a Secretaria da Cultura, muitas obras são conservadas só com limpeza sistemática. "Outras, pelas dimensões, condições de exposição às intempéries e material, exigem cuidados especiais" e "grandes cifras".

    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2507201016.htm

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