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     Novo livro mostra os 'segredos' da viola bem tocada

    “Às vezes, se ouve o violeiro falar de sua viola e se tem a impressão de que ele parece falar de uma pessoa. A viola tem braço, tem boca, tem costas, pestana, voz, fica rouca, fica constipada. (...) Pode ser ciumenta, tem alma, pega quebranto”. Extraído de “História, Método e Ponteados da Viola Caipira do Médio Tietê”, do músico e pesquisador Ricardo Anastácio, o texto dá logo a entender que o trabalho não tem apenas um mote acadêmico. Projeto apoiado pela Lei de Incentivo à Cultura (Linc), este é o primeiro do gênero, na região, a divulgar técnicas para tocar o instrumento.

    Novo livro mostra os 'segredos' da viola bem tocada

    José Antônio Rosa

    Notícia publicada na edição de 13/07/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 1 do caderno B - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

     
    Luiz Setti Ricardo Anastácio lança hoje “História, Método e Ponteados da Viola Caipira do Médio Tietê”

    “Às vezes, se ouve o violeiro falar de sua viola e se tem a impressão de que ele parece falar de uma pessoa. A viola tem braço, tem boca, tem costas, pestana, voz, fica rouca, fica constipada. (...) Pode ser ciumenta, tem alma, pega quebranto”. Extraído de “História, Método e Ponteados da Viola Caipira do Médio Tietê”, do músico e pesquisador Ricardo Anastácio, o texto dá logo a entender que o trabalho não tem apenas um mote acadêmico. Projeto apoiado pela Lei de Incentivo à Cultura (Linc), este é o primeiro do gênero, na região, a divulgar técnicas para tocar o instrumento.

     

    O livro traz um DVD de quase 50 minutos no qual Ricardo orienta os aspirantes a violeiro e será lançado hoje, às 19h30, na edição do “Terça Sertaneja”, no Parque dos Espanhóis. O evento abre ainda espaço para a apresentação da Orquestra de Viola Tropeira, que ele próprio comanda. A entrada é franca. Ricardo Anastácio tanto insistiu que alcançou o objetivo de fazer a cidade contar com uma formação voltada ao fazer caipira. No período de dois anos, lançou um CD, produziu, com o apoio de programa do governo do Estado, um documentário sobre o nheengatu (dialeto do sertanejo), deu aulas de viola, escreveu o método e tornou a orquestra uma realidade.

     

    A teimosia deu resultado: além da apresentação de logo mais, a orquestra marca presença, no dia 13 de agosto, na Semana de Culinária Caipira que acontece no Mercadão Municipal de São Paulo. Dois dias, depois, um domingo, aniversário de Sorocaba, toca, no Parque dos Espanhóis, com vários outros conjuntos, entre eles o de Atibaia e o amigo Ivan Vilela dentro da temporada 2010 do Concertos Finamax. “História, Método e Ponteados...” não se limita a servir de cartilha para quem se interessa em tocar viola caipira. Ricardo reuniu curiosidades sobre a origem do instrumento, faz um apanhado dos vários gêneros (cururu, toada, cateretê, quebra jaca, etc.) e reproduziu uma sequência de partituras com temas de sua autoria.

     

    O livro aborda, mais, os vários tipos de ponteio (jeito de tocar as cordas), entre eles o choroso que, como o nome sugere, é mais delicado e suave; o recortado, que recomenda que o músico “pise”, acompanhando o sapateado da catira; o “maião”, de malhar, de ritmo bem marcado, e o carrilhão, no qual os dedos giram soltos. Este último foi bastante executado por Zé Camargo, violeiro sorocabano cujo trabalho serviu de referência para muitos profissionais. Ricardo está perto de completar bodas de prata com a viola. Foi em 1986, num encontro em Ouro Preto, organizado por ninguém menos do que Toninho Horta que começou a mergulhar mais a fundo nesse universo.

     

    Na cidade, conviveu com músicos como Dori Caymmi, Eraldo do Monte e Roberto Gnatalli (sobrinho de Radamés Gnatalli). Desde então, não parou mais. Natural de Assis, casou-se com sorocabana e passou a frequentar a chamada “lira paulistana”, da qual fizeram parte Itamar Assunção, Alzira Espíndola, Décio Marques e Arrigo Barnabé. Nessa mesma época, tocou num trio que animava a agenda do “Armazém” e que substitui à Banda Estilingue. Caipira assumido, Ricardo Anastácio atua ainda em pelo menos outras duas orquestras: a de São Roque e a de Cesário Lange. O trabalho de ensinar, ele diz, continua. A partir de agosto, novas turmas da oficina que acontece aos sábados no Parque dos Espanhóis, dentro da qual nasceu a orquestra de viola tropeira, deverão começar o aprendizado.

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