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     Durante a Semana Nacional de Museus, Sorocaba tem pouco a comemorar

    Uma enquete realizada nas ruas de Sorocaba, com aproximadamente 50 pessoas, apontou que 100% dos entrevistados, das mais variadas idades e profissões, conhece apenas um museu da cidade, como disseram: “aquele situado no interior do Zoológico”. Às vésperas do Dia Internacional dos Museus, comemorado no dia 18 de maio, e durante a Semana Nacional de Museus, data que tem como proposta promover a integração das instituições museológicas e intensificar suas relações com a sociedade, Sorocaba tem pouco a contribuir. Efetivamente abertos ao público, a cidade conta com dois museus.

    Durante a Semana Nacional de Museus, Sorocaba tem pouco a comemorar

    Daniela Jacinto - Redação Cruzeiro do Sul

    Notícia publicada na edição de 16/05/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 1 do caderno B - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

     
    Fábio Rogério Mesmo em funcionamento, o Museu do Ferroviário não é conhecido pelo sorocabano

     

    Uma enquete realizada nas ruas de Sorocaba, com aproximadamente 50 pessoas, apontou que 100% dos entrevistados, das mais variadas idades e profissões, conhece apenas um museu da cidade, como disseram: “aquele situado no interior do Zoológico”. Às vésperas do Dia Internacional dos Museus, comemorado no dia 18 de maio, e durante a Semana Nacional de Museus, data que tem como proposta promover a integração das instituições museológicas e intensificar suas relações com a sociedade, Sorocaba tem pouco a contribuir. Efetivamente abertos ao público, a cidade conta com dois museus. Além do Histórico, lembrado pelos entrevistados, há ainda o Ferroviário, que pouca gente conhece. A reportagem do Mais Cruzeiro visitou os museus durante a semana e, baseada nos registros de visitas de 2010, pôde constatar: aos domingos, o Casarão do Quinzinho chega a receber de oitocentas a mil pessoas. Além do fato de ser anexo ao Zoológico, que ajuda a atrair público, são realizados eventos que promovem o espaço, como o Cinema no Museu e apresentações de música. Durante os dias da semana, o público varia entre 30 a 80 pessoas, número considerável para um museu no interior. Já o outro museu aberto a visitas, o do Ferroviário, tem dias que não recebe ninguém, mas a média fica em torno de 10 pessoas por dia, durante a semana, com exceção de feriados, quando é registrada maior procura. Sobre os outros quatro museus que Sorocaba possui (possui?) nem é possível falar sobre as visitas porque estão fechados há anos. São eles o de Arte Sacra, o da Imagem e do Som, o Casarão de Brigadeiro Tobias e o de História Militar. Seus acervos valiosos de nada servem para o público, já que não estão disponíveis.

    A cidade vive agora a expectativa pelo Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba, o Macs. Apesar de ainda não ter sido inaugurado, a instituição já tem realizado algumas atividades, inclusive para marcar a Semana Nacional de Museus: a partir de amanhã até o próximo dia 21, o público poderá conferir palestras, exibição de filme e debate sobre arte.

    Três museus importantes estão desativados

    Daniela Jacinto

    Notícia publicada na edição de 16/05/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 3 do caderno B - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

     

    Desconhecidos pela população, o Museu de Arte Sacra, o da Imagem e do Som e o de História Militar estão há anos desativados. Os dois últimos à espera da reforma da Casa Aluísio de Almeida e o primeiro aguardando um espaço adequado para que as obras sejam abrigadas.

    Conforme o professor Marcos Marins, diretor do Museu Arquidiocesano de Arte Sacra Com. Luiz Almeida Marins, é lamentável que um acervo como aquele não esteja disponível para o público. Sou a favor de que o museu seja ligado a uma universidade, que teria condições de administrar. Entrei em contato com a Uniso, mas ainda não tive resposta. Eu gostaria muito que a Uniso administrasse, afirma.

    Marcos Marins conta que o acervo está bem cuidado, catalogado. Tem fichário e tudo fotografado, filmado e digitalizado, há inventário com informações detalhadas de todas as obras, revela.

    O acervo, que está na Catedral Metropolitana de Sorocaba, possui mais de três mil fotos, 181 imagens sacras e diversos objetos - entre eles está a cadeira do Frei Galvão e um órgão pertencente ao antigo Mosteiro de Santa Clara. O museus está fechado há uns cinco, seis anos. E eu, como professor, não admito o fato desse museu estar fechado, para mim é falta de interesse cultural da cidade. Eu não sou um museólogo, sou um voluntário que trabalha como diretor no museu. A cidade tem pessoas especializadas, professores, doutores, que poderiam administrar o espaço, desabafa. Quem quiser conhecer um pouco mais sobre o Museu de Arte Sacra pode acessar o site www.madaslam.com.br.

    Quanto ao Museu da Imagem e do Som de Sorocaba, Adilson Cezar, presidente do Instituto Histórico Geográfico e Genealógico de Sorocaba (IHGGS), responsável pelo acervo, afirma que desde que o museu se constituiu, nunca foi possível a consulta plena. Naquela ocasião, ganhamos da Landa Lopes uma coleção de filmes e perdemos para a Cinemateca porque simplesmente não tínhamos condições de armazenar... Alguns deles mais tarde consegui reverter para fitas de vídeo, mas perdemos muito.

    Desde 2007, quando a Casa Aluísio de Almeida iniciou a reforma, a consulta ficou ainda mais complicada, traduzindo: inexistente, mas por uma questão de espaço mesmo.

    Já o Museu Sorocabano de História Militar abriga, conforme o professor, um material de 1932 e 1942, documentos, capacete, padiola, tudo referente à participação de Sorocaba na área militar: A presença de Sorocaba é muito grande no setor militar. Adilson Cezar esclarece que para o acervo estar disponível à população, é prioritária a conclusão da reforma. Enquanto não se concluir a reforma iniciada em 2007, os materiais não poderão ser disponibilizados para uso pleno. Dependemos da deliberação de verba para poder dar continuidade ao projeto, diz.

    O Museu da Imagem e do Som de Sorocaba e o Museu Sorocabano de História Militar ficam no interior da Casa Aluísio de Almeida - rua Rui Barbosa, 84, Centro.

    Macs deve abrir as portas no segundo semestre

     

    Notícia publicada na edição de 16/05/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 3 do caderno B - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

     

    O Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (Macs), que estava previsto para ser inaugurado em março, teve sua data adiada por questões financeiras e burocráticas. A nova data anunciada é o segundo semestre de 2010. O Macs será mantido pela Associação de Educação, Cultura e Arte (Aeca), organização da sociedade civil de interesse público presidida por Cristina Delanhesi. O acervo será composto por obras de artistas de expressão nacional e internacional. Entre eles também os sorocabanos. Apesar de ainda não ter aberto as portas, a entidade tem realizado na cidade diversos eventos na área da arte.

    Seguindo a proposta do Instituto Brasileiro de Museus, que promove a 8ª Semana de Museus, cujo tema é Museus em Harmonia Social, o Macs realiza a partir de amanhã até a próxima sexta-feira, dia 21, diversas atividades como parte da Semana Nacional de Museus. O evento será realizado sempre com início às 19h30 na sede da Faculdade de Tecnologia de Sorocaba (Fatec), na avenida Av. Engº Carlos Reinaldo Mendes, 2.015, com entrada gratuita.

    A abertura conta com a exibição de quatro documentários relacionados ao mundo das artes e debate com participação da professora Maria Inês Pannunzio. Na quarta-feira, dia 19, haverá palestra sobre o tema Museu e sua inserção na Totalidade-Mundo-Museu, com o Prof. Dr. José Simões de Almeida Júnior. Quinta-feira, dia 20, Luccia Maggi e Edu Oliva farão a exibição e debate do filme O livro de cabeceira. Encerra a Semana, Rita de Cássia Demarchi, que debaterá sobre o filme Arquitetura e destruição.

    Durante o evento será distribuída gratuitamente ao público uma revista com artigos das palestras realizadas pelo Museu de Arte Contemporânea no ano passado.

    Mesmo sem ter sido instalado ainda, o Macs já tem endereço: av. Afonso Vergueiro, 450, Centro. Outras informações: (15) 3234-3781 ou pelo e-mail macs@macs.org.br.

    "Para a maioria das pessoas, museu é um lugar que ainda causa medo"

     

    Notícia publicada na edição de 16/05/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 3 do caderno B - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

     
    Fábio Rogério Miniaturas de trens chamam a atenção dos visitantes

     

    Dos únicos dois museus em funcionamento na cidade, o Ferroviário não foi lembrado pela população. No local, é possível admirar-se com peças inusitadas como uma bota de ferro gigante que servia para mergulhos e por incrível que pareça era usada pelos funcionários da estrada de ferro Sorocabana. A bota faz parte do chamado escafandro, uma vestimenta impemeável provida de aparelho respiratório para esses mergulhos. Aparelhos de telégrafo, antigos móveis da Estação Ferroviária e miniaturas de trens chamam a atenção. Aliás, as miniaturas são as prediletas da maior parte dos visitantes. Apesar de receber poucas pessoas, quem frequenta o museu é o aposentado da ferrovia, saudoso dos tempos do trem.

    O acervo, permanente, pode ser que desestimule novas visitas, mas não para esses senhores, que gostam de rever sempre aqueles objetos e contar suas histórias para os funcionários do local.

    Sônia Nancy Paes, que também é responsável pelo Museu Ferroviário e ainda o Casarão Brigadeiro Tobias, afirma que o público em geral não tem costume de frequentar museu. Para a maioria das pessoas, museu é um lugar que ainda causa medo. Parece que não é aberto pra todo mundo, as pessoas que acham que não há espaço para elas. Sonia atribui as visitar ao Casarão do Quinzinho por causa do Zoológico, mas reconhece que antigamente a maioria ia para o zôo e depois aproveitava para conhecer o Casarão, mas depois que o Museu ganhou entrada independente, já há um público que vai ao museu e depois aproveita para conhecer o zoológico. Sonia já tentou promover atividades no Museu Ferroviário assim como faz no Casarão do Quinzinho, mas o barulho do trânsito acaba atrapalhando as atividades naquele local. Tenho de fazer uma ‘mea culpa, talvez a gente não esteja divulgando como deveria, mas a questão é também cultural, de falta de costume das pessoas irem até os museus. Penso que o ideal seria um trabalho educacional, em conjunto com as escolas para a formação de público.

    A diretora dos museus afirma ainda que Sorocaba hoje merece um museu de arqueologia, pelo acervo que possui nessa área. Já temos um laboratório de arqueologia na cidade capaz de oferecer apoio a pesquisas arqueológicas no Brasil inteiro, é um outro lado do museu que a maioria das pessoas não sabe que existe, revela.

     

    Casarão de Brigadeiro Tobias

     

    Quanto ao Casarão de Brigadeiro Tobias, o espaço está fechado há 11 anos para restauro. Sonia acredita que até o começo de 2011 as peças do Casarão estarão expostas para o público. Tudo depende de questão orçamentária, de investidores. Apesar das obras de restauro, o local será utilizado durante a Semana do Tropeiro..., acrescenta. O espaço ainda será a sede do Centro de Estudos sobre o Tropeirismo. Nesses últimos anos mudou a mentalidade do poder público - em todos os níveis e não apenas municipal - em relação ao patrimônio histórico. Hoje existe o entendimento de que cuidar da história é cuidar da alma, justifica.

    O Museu Ferroviário fica na Praça Matheus Maylasky, entre a Rua Dr. Álvaro Soares e a Av. Afonso Vergueiro, em frente à Estrada de Ferro Sorocabana. As visitas podem ser feitas de terça-feira a sábado, das 9h às 16h30. Já as pesquisas, de terça a sexta-feira, das 8h30 às 16h30. Fecha para almoço das 12h às 13h. Entrada gratuita.

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