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     Projeto visa criação do Centro Cultural da Laranja

    Já tem o aval do prefeito Vitor Lippi o projeto para criação do Centro Cultural da Laranja, como foi batizado o packing house (espécie de armazém) que, localizado na rua Epitácio Pessoa, no bairro Árvore Grande, funcionou, nos anos 30, como posto de beneficiamento da fruta. A revitalização do prédio pertencente à Secretaria da Fazenda ainda demora para sair do papel. Num primeiro momento, o município negocia a incorporação do imóvel ao seu patrimônio.

    MAIS CRUZEIRO - [ 11/05 ]

    Projeto visa criação do Centro Cultural da Laranja

    José Antônio Rosa

    Notícia publicada na edição de 11/05/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 1 do caderno B - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

     
    Adival B. Pinto Prédio abandonado está situado na rua Epitácio Pessoa, bairro Árvore Grande

    Já tem o aval do prefeito Vitor Lippi o projeto para criação do Centro Cultural da Laranja, como foi batizado o packing house (espécie de armazém) que, localizado na rua Epitácio Pessoa, no bairro Árvore Grande, funcionou, nos anos 30, como posto de beneficiamento da fruta. A revitalização do prédio pertencente à Secretaria da Fazenda ainda demora para sair do papel. Num primeiro momento, o município negocia a incorporação do imóvel ao seu patrimônio.

    Como o local está abandonado e serve de depósito para processos arquivados movidos pelo fisco e de guarda para veículos sem uso, é certo que as tratativas deverão avançar. A construção com quase 2 mil metros quadrados de área tem um valor histórico dos maiores.

    A ideia de destinar o local ao empreendimento foi capitaneada por um grupo de pesquisadores liderados pelo engenheiro Sérgio Aranha. Ele, que esteve à frente da instalação da Casa de España trabalha, agora, para recuperar outro empreendimento.

    Ainda não se sabe quanto a empreitada exigirá de aporte financeiro, mas, pelas metas até agora traçadas, não será pouco. A pretensão é criar no local espaços multiusos para exposições, convenções e um museu com equipamentos que remontam ao ciclo da laranja na cidade.

    Se depender da disposição dos envolvidos, até a produção do vinho cítrico será retomada. Pouca gente talvez saiba, mas, depois do tropeirismo e do boom da indústria têxtil, que lhe conferiu o status de Manchester Paulista, Sorocaba ficou conhecida, também, como a Flórida Brasileira.

    Tudo foi motivado pelo fim da era cafeeira no Estado. Como as lavouras deixaram de render, o jeito foi buscar novas alternativas. A laranja, assim, entrou em cena e sua produção foi impulsionada, principalmente, pela disposição dos imigrantes espanhóis que para cá vieram.

    Consta que, na fase áurea, a fruta era colhida em propriedades localizadas num raio de até 50 quilômetros. A demanda cresceu tanto que foi necessário construir, em 1928, um packing onde a laranja era lavada e acondicionada em vagões de trem, que seguiam para o porto de Santos e, daí, para o mercado externo.

    O depósito ocupou uma área na região da Árvore Grande e, durante o período em que funcionou, serviu de passagem para milhões de caixas. Muitos fizeram fortuna com o negócio, mas, entre tantos, a figura do industrial Alberto Cocosa se destacou.

    Apontado como um bon vivant, Cocosa ganhou tanto dinheiro que se deu ao luxo de comprar um navio. Suas aventuras renderiam um bom roteiro de filme, rememora a sobrinha Marita Cocosa Simoni, que hoje vive em Araçoiaba da Serra.

    Para resgatar essa e outras passagens, Sérgio Aranha e também o arquiteto Mário Didami, autor do projeto de revitalização do espaço, esperam despertar o interesse de investidores que queiram firmar parcerias.

    O retorno, garantem, justificaria o apoio. Temos aqui um potencial enorme para ser trabalhado. Contar a história do ciclo da laranja, resgatar aquele período e mostrar às novas gerações que Sorocaba teve uma participação importantíssima nesse processo, é algo de valor incalculável.

    A expectativa do governo municipal é de que, no segundo semestre, os detalhes da transferência da propriedade estejam, ao menos, definidos. A partir disso, o trabalho se volta ao levantamento de recursos para começar a restauração.

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