Jacqueline França
Agência BOM DIA
Ele entrou no mundo da bola em um tempo que jogador de futebol não era profissão e nem passava perto da lista dos sonhos de um garoto. Mas talento não se discute e o menino sorocabano ganhou o mundo, deixou de ser apenas Mário Peres Ulibarri para se transformar no capitão da seleção Marinho Peres.
Hoje, aos 63 anos, Marinho lembra a casualidade de sua descoberta na época que jogava futebol com os amigos em um campo onde atualmente fica o Sorocaba Shopping.
Ele entrou para um time B do São Bento, que era um dos melhores do Estado. Logo, o garoto, que ainda não tinha completado 20 anos, foi levado para a Portuguesa de Desportos.
Zagueiro de garra e muito talento, foi convocado para a seleção brasileira apenas dois anos depois de começar a carreira. “Foi tudo muito de repente. Quando vi já estava com a seleção em viagem pela Europa”, lembra.
Quando chegou para a disputa da Copa de 1974, na Alemanha, o técnico Zagallo – que já era tricampeão – não só o escalou como o escolheu para capitão.
Infelizmente não era o ano do Brasil e o sorocabano não conseguiu o título mundial. A equipe foi superada pela Holanda – a Laranja Mecânica – e ficou em quarto lugar. “Esse era um troféu que eu gostaria de levantar, mas sei que sempre dei o melhor de mim.”
No Brasil, Marinho passou por quase todos os grandes times, mas um deles foi especial. O ex-zagueiro jogou por dois anos ao lado de Pelé no Santos. “Era uma coisa fantástica estar ao lado desse fenômeno”, diz.
Desta época, ele guarda a amizade que conquistou com o rei do futebol por conta da rotina em comum.
A vida de jogador durou apenas 13 anos. Em 1979, depois de passar por uma cirurgia no tornozelo e várias lesões, Marinho decidiu parar e seguir como treinador. Foi aí que o sorocabano contou com o importante apoio de Telê Santana, que o convidou para ser o seu auxiliar no Palmeiras. “Depois disso, fomos para a Arábia Saudita e eu também atuei em times da Europa.”
No ano passado, Marinho trabalhava como técnico na África do Sul, mas precisou voltar a Sorocaba porque sofreu um descolamento na retina.
Depois de ser operado e agora totalmente recuperado, o treinador aguarda para voltar ao trabalho. “Acredito que propostas virão depois da Copa.”
Mesmo com tanta experiência no Exterior, a vontade desse profissional é atuar em sua cidade natal e passar, seja no São Bento ou no Atlético Sorocaba, o que aprendeu.
Enquanto isso, Marinho mantém uma rotina tranquila. Ele se sustenta com o aluguel de algumas propriedades e fica perto da esposa e do único filho. “Até agora ele é o único, pelo menos não apareceu mais nenhum por aí”, brinca.
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