A ong Memória Viva apresenta durante o mês de dezembro às segundas feiras : dias, 19 e 26, às 22,20 horas e aos sábados dias 24 e 31, às 16,00 horas; em janeiro às segundas feiras : dias 2, 9, 16 e 30 às 22,20 horas e aos sábados : dias 7, 14, 21 e 28, às 16,00 horas o vídeo documentário Somos Todos Sacys produzido pela Confraria Produções em co-produção com a Rede SESCSENAC de Televisão.
Somos Todos Sacys
“Das Américas de encontros inesperados,
onde o sincretismo antropofágico
foi vereda na vida
insurgiu o Saci-Perêrê.
De berço guarani e infância abolicionista,
o peralta perneta é a confluência das almas
e mitos que forjaram o Brasil”.
A Confraria Produções em co-produção com a Rede SESCSENAC de Televisão apresenta Somos Todos Sacys. Documentário que mostra a vida, paixão e morte do mito na tradição oral e suas re-significações nos dias atuais. Sendo este mito símbolo de nossa cultura antropofágica, a relevância para o debate em torno do Sacy se faz pela motivação de pensar e redescobrir o Brasil.
Frente à multiplicidade de manifestações do Sacy, percebe-se que a figura traquina transcende sua estigmatização física e regional, abrindo inúmeras formas de interpretações e funções sociais que vão desde a esconjuração à sua sacralização.
No entanto, o Sacy, que representante de toda uma rica mitologia brasileira, é posto em geral em um segundo plano frente a massificante indústria cultural que impõem a incorporação de costumes estrangeiros. Por isso, fica claro o papel político que o Perêrê conduz em direção à valorização de nossa cultura, contra uma globalização burra e devastadora.
“Saci é reconhecido como uma força da resistência cultural a essa invasão. Na figura simpática e travessa do insigne perneta, esbarram hoje, impotentes, os x-men, os pokemon, os raloins e os jogos de guerra, como esbarravam ontem patos assexuados e ratos com orelhas de canguru” (fragmento do Manifesto do Saci – SOSACI – 2003)
Partindo de depoimentos sobre a figura do Sacy o documentário também reflete sobre a cultura oral que é capaz de evidenciar a peculiaridade e a multiplicidade das questões culturais, sociais e históricas. A tradição que vive nos Sacys, nos M’Boi-ta-tas, Curupiras, Pedros Malasartes é uma das responsáveis pela manutenção e preservação da prática do contar “estórias”. Criativos, espontâneos, assombrosos e cheios de rica sabedoria, os “causos" são contados com a espontaneidade capaz de confundir os limites entre realidade e ficção.
“Pois o Perêrê é fruto da mesma Árvore que alimenta as aventuras mais emocionantes do homem: a Imaginação, mãe das magias, santa criatividade que ilumina nossa travessia. Banhado pela força das águas em queda, o Saci é a manifestação cósmica de nossa fantasia. Cachoeira de quimeras que nutre secas almas”.
Como uma semente que se planta em solo fértil, a cultura oral sempre foi cultivada de geração em geração através de séculos ensinando e cativando a imaginação. Carregando a sabedoria da experiência, a tradição oral sustenta a educação, os ritos, mitos e as histórias das comunidades. Feito uma rede de pesca esta cultura liga o passado, presente e futuro entrelaçando-se de forma vital à história da humanidade.
Tendo a consciência da existência da mobilidade e versatilidade que reveste a cultura popular, fazendo-a se transformar e renovar com o passar do tempo, o documentário sublinha a importância da cultura oral nos dias atuais, preservando algumas das tradições e brincadeiras praticadas pelos antigos que são fundamentais ao viver.
A Realização:
Sem dúvida, a maior inspiração para a realização do trabalho de campo, que conta com a coleta dos causos nas roças, foi o criador do Sítio do Pica Pau Amarelo. Em 1917, Monteiro Lobato recolheu inúmeros depoimentos com a ajuda dos leitores do “Estadinho” que escreveram estórias sobre o insigne perneta. Reunidos no livro O Sacy-Perêrê – Resultado de um Inquérito, os causos revelam a imagem do sacy sacripanta no começo do século XX que dá suporte para a configuração da personagem lobatiana nas aventuras do Sítio.
Instigados por esta empreitada, abrimos a temporada de caça ao sacy com o intuito de investigar a quantas artes o sacripanta perneta se comporta em nossos dias. Assim, registramos nas roças do interior de São Paulo depoimentos de contadores de causos e caipiras. Demos voz também, aos “saciólogos” que fazem o contra ponto com debates a respeito das origens e significações do endiabrado Saci e sua importância na formação da nossa cultura sincrética.
Somos Todos Sacys conta com trilha sonora embalada por músicas de Ivan Vilela, Quarteto Perêrê e Duo Portal. É ainda Ilustrado por lúdica animação realizada por Érica Valle e Marcelo Comparine e enriquecida por uma pesquisa iconográfica com artistas do passado (como Rugendas, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade Filho, Voltolino, Monteiro Lobato entre outros) e também atuais (como Ziraldo, Airon, Fernando Carvall, Ohi, Marcus Cartum e outros).
Ficha Técnica:
Direção e roteiro:
Rudá K. Andrade e Sylvio do Amaral Rocha
Montagem:
Felippe Brauer, Rudá K. Andrade e Sylvio do Amaral Rocha
Direção de Fotografia:
Sylvio do Amaral Rocha
Animação:
Érica Valle
Arte:
Marcelo Comparini
Edição e Finalização:
Felippe Brauer
Locução:
Tereza Freire
Produção de Campo:
Jaime Soares
Músicas de:
Batuque de Umbigada interpretado por Batuque de Tietê, Capivari e Piracicaba - Anecide Toledo
Duo Portal
Grupo Cachoeira!
Ivan Vilela
Kiko Carneiro e Gustavo Barbosa
Quarteto Perêrê
Trilha Original para animação:
(citação da “Polka do Sacy” de S. Nogueira de Lima e da “Suíte Antropofágica” do Quarteto Perêrê)
Programa Memória Viva, canal 7 da NET, TVCOM Sorocaba.
Produção : Érika Massaglia e Sergio Aranha