| Basta de demolir e de “gentrificar” | |
Conheci a Gisele no Blog do Noblat, e peço-lhe permissão para reproduzir este artigo. Lá em Buenos Aires como aqui em Sorocaba-SP é a mesma coisa. O nosso partimônio esta sendo demolido. Precisamos dar um basta. A Memória Viva é a única ong preservacionista da nossa região. Acessem o seu blog, Aqui me quedo,http://giseleteixeira.wordpress.com/, com impressões e descobrimentos sobre a belíssima Buenos Aires. |
Em Buenos Aires não param de pipocar movimentos que buscam salvar o patrimônio histórico dos bairros da cidade. Entre eles, “Proteger Barracas”, “San Telmo Preserva”, “SOS Caballito” e “Quilmes Unido”, para mencionar alguns.
A idéia é frear, pelo menos nos bairros onde ainda é possível, a demolição sem critério de construções antigas que, em geral, dão lugar a negócios para turistas, como prédios de apartamentos de aluguel temporário ou restaurantes sofisticados.
Em algumas regiões, infelizmente, já não dá para fazer muito. É o caso de Palermo Viejo. De acordo com o arqueólogo urbano Daniel Schávelzon, se o bairro mantiver o ritmo de demolições apresentado nos últimos anos, poderá perder todas suas construções anteriores a 1920 em apenas quatro anos. Vão sobrar somente as vitrines de grifes.
Desde meados de 2008 a cidade possui uma lei que protege de forma automática todos os edifícios construídos até 1940, que só podem ser demolidos com permissão especial. Mas isso não significa que não haja ações clandestinas.
Basta uma espiada no site “Basta de Demoler”, um dos mais ativos, para tomar conhecimento dos prédios que estão perigo, bem em frente aos nossos narizes.
A pressão turística não provoca somente a substituição de prédios antigos por modernos, mas também a substituição de seus moradores.
É o que vem sendo chamado de “gentrificação”, ou enobrecimento dos espaços urbanos. Em outras palavras, algumas áreas das cidades começam a ser tão subitamente valorizadas pelo mercado imobiliário que ocasionam a expulsão dos moradores tradicionais, especialmente os de classes sociais menos favorecidas.
É o que esta acontecendo com San Telmo, o menor bairro de Buenos Aires e um dos mais antigos da cidade, em pleno Casco Histórico.
O aumento do número de turistas estrangeiros colocou a região na moda. Em conseqüência, o valor dos aluguéis subiu muitíssimo, afugentando diversos comerciantes tradicionais, que fecharam as portas. Estimativas apontam que cerca de 15% dos 28 mil habitantes do bairro já se mudaram. Começam a ficar apenas os negócios para turistas. E os turistas.
Esta tendência é ditada pelo mercado, mas não é de todo inevitável. Como moradora do bairro entrei na campanha pela manutenção da vizinhança de San Telmo, segredo de sua magia.
Não quero um Starbucks na minha janela. Quero o senhor que vende queijo no mercado e fecha a lojinha depois do meio dia para fazer uma “siesta”. A vendedora de flores e os bares sujinhos de meio de quadra.
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/01/12/basta-de-demolir-de-gentrificar-256824.asp
Gisele Teixeira é jornalista. Trabalhou em Porto Alegre, Recife e Brasília. Recentemente, mudou-se de mala, cuia e coração para Buenos Aires, de onde mantém o blog Aquí me quedo (giseleteixeira.wordpress.com), com impressões e descobrimentos sobre a capital portenha.
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