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 Maniçoba – Araritaguaba – Porto Feliz, por Cássia Angelieiri

Durante anos o médico pesquisador portofelicense Dr. Walter Castelucci colecionou documentos cujos conteúdos contestam, provam e afirmam que a data de fundação de Porto Feliz (1728) está errada, assim como Antonio Aranha Sardinha e Cardoso Pimentel não seriam os verdadeiros fundadores.

Maniçoba – Araritaguaba – Porto Feliz

 

Porto Feliz já existia em 1553?

 

Durante anos o médico pesquisador portofelicense Dr. Walter Castelucci colecionou documentos cujos conteúdos contestam, provam e afirmam que a data de fundação de Porto Feliz (1728) está errada, assim como Antonio Aranha Sardinha e Cardoso Pimentel não seriam os verdadeiros fundadores.

Ao falecer em 1992, o médico pesquisador deixou além de sua rica biblioteca, vasto material pesquisado e datilografado sobre o assunto, material esse que compunha a “tese” que estava defendendo.

Alguns trechos dessa “tese”.

Na época do descobrimento do Brasil, a religião católica surgia como senhora absoluta entre os povos primitivos da América Latina, jesuítas portugueses e espanhóis se empenhavam em levar a fé cristã aos quatro cantos do Novo Mundo. Em nome de Cristo, povoados surgiam com o levantamento de uma cruz, uma simples capela e algumas casas ao redor, tendo como objetivo a conversão dos nativos.

As correspondências dos jesuítas da Companhia de Jesus são verdadeiras fontes históricas e relatam detalhadamente o que aconteceu nesse passado tão distante.

 

 

        Pode – se afirmar que já em 1553 antes da oficialização definitiva da Vila de São Paulo em 25 de janeiro de 1554, Maniçoba já existia. Aparece no mapa da Capitania de São Vicente e nos documentos pesquisados como um posto avançado no sertão de defesa do Planalto Paulista. Seria o 3º núcleo mais importante dessa fase expansionista dos jesuítas catequizadores, ao todo 16, que se dividiam entre os povoados. Os outros núcleos seriam São Vicente, Piratininga, Maniçoba e Geribatiba.

O Padre Manoel de Nóbrega escreveu que, após ajudar a terminar a cerca de pau a pique que protegeria a futura Vila de São Paulo partiu a pé para o sertão com destino a aldeia de Maniçoba à margem esquerda do rio Anhembi (Tietê), cuja navegabilidade se fazia possível a partir daí, em relação ao início do curso do rio que era muito pedregoso, ele tinha conhecimento da existência de um PORTO no qual se embarcava  para  alcançar o Rio  Paraná , o Rio Paraguai e a terra dos índios Carijós.

O padre Manuel de Nóbrega sonhava em conhecer Guairá (RS), ele se sentia atraído por essa região, por isso veio até Maniçoba. Embora o governador do Brasil Tomé de Souza não aprovasse essa viagem, o que impediu mesmo que ele realizasse seu sonho foram os índios guaranis que subiram o Rio Anhembi (Tietê) e atacaram os brancos aportados em Maniçoba.

              Maniçoba estaria a mais ou menos 35 léguas da futura vila de São Paulo. Aí encontrou – se com parentes de João Ramalho e Pero Correa, que descreve a existência na aldeia de casas de muito toscas entre elas uma seria dos jesuítas, onde 2 padres e o irmão Gregório Senão ensinavam de maneira rudimentar gramática e latim, além da catequese aos índios.

O historiador Afonso de Taunay também faz menção a Maniçoba em sua obra “História das Bandeiras Paulistas” ele escreve que em 1561 o Padre Anchieta veio a Maniçoba com a missão de recuperar várias famílias de mamelucos “alevantadas” (insubordinadas) que, com suas mulheres e filhos se embrenharam pelo sertão temerosos de castigo por faltas cometidas no litoral. Anchieta conhecia bem o caminho até Maniçoba, conhecia o PORTO e sabia que nele ou perto dele viviam essas famílias “alevantadas”.

O naufrágio de Abarémanduaba não é uma lenda, mas sim, mais uma prova da existência de Maniçoba.

Transcrição de alguns trechos do relato de Quericio Caxa:

“... O padre Anchieta, o padre Vicente Roiz e outros não sei quantos homens e um índio partiu, pois, andando 8 jornadas, indo por um rio abaixo numa canoa de casca, chegando perto da corrente caiu por ela e nunca mais apareceu, nem coisa que fosse nela. Todos foram ao fundo, que seria da altura de 4 a 5 braças, mas todos saíram a nado, só o padre Anchieta não apareceu. Nadou esse índio de que acima falei, muito tempo embaixo d’água em busca e não achando se veio para cima a tomar fôlego e a descansar. Tornou – se com grande esforço a mergulhar e depois de bom espaço deu com ele (Anchieta) no fundo, pegou – lhe pela veste e trouxe – o para cima vivo e são. Após o naufrágio chovia muito e era noite, os náufragos andaram pelo mato às apalpadelas, foram dar nas casas daqueles homens que iam buscar...”.

Esse local do Rio Tietê hoje chamado de Poço do Abarémanduaba ou Abarémanduava que significa lembrança ou recordação onde o padre naufragou.

 

Ainda... 

Atas da Câmara de São Paulo registram que 1590 o patriarca Domingues Luis Grou realizou uma bandeira que foi praticamente dizimada pelos índios, ela partiu do PORTO localizado à margem esquerda do Rio Anhembi.

Em 1618 o capitão general do Paraguai D. Céspede Xeria realizou uma viagem ao Paraguai partindo de um PORTO localizado à margem esquerda do Rio Anhembi, segundo seu relatório ao Rei Felipe IV da Espanha ele teria permanecido algum tempo no local (Maniçoba) para construção de 3 canoas que seriam utilizadas na viagem.

Portanto, esses fatos são algumas provas irrefutáveis de que há um vazio de aproximadamente 170 anos na história da nossa Porto Feliz.

 Obras pesquisadas pelo Dr. Walter: ”Vida e Morte do Padre Anchieta” de Quirício Caxa, ”História da Companhia de Jesus” de Serafim Leite, ”História das Bandeiras Paulistas” de Afonso Taunay, ”Mapa da Capitania de São Vicente 1553“ da coleção “História da Civilização paulista” de Aureliano leite, “Atas da Câmara de São Paulo de 1553“, Coleção de História do Brasil de Pedro Calmon e outros.

 

                                                            Texto - Resumo - Profª. Cássia Angelieri


 
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