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| A cultura popular brasileira é de fusão e de diversidade | |
Regionalismo, globalização, estados nação, tradição e fusão, os conceitos não são rasos, mas o antropólogo Ruben George Oliven, doutor pela Universidade de Londres, é professor titular do Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi fundo na sua pesquisa e acaba de relançar o livro A Parte e o Todo: a diversidade cultural no Brasil-nação (Editora Vozes) agraciada com o Prêmio Melhor Obra Científica do Ano concedido pela Associação Brasileira de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais. |
A cultura popular brasileira é de fusão e de diversidade
Fonte : Revista Raiz http://revistaraiz.uol.com.br/narede/index.php?page=ler_exclusivas&id=22
A grande preocupação da redação da Revista RAIZ. é o de jogar luzes para os artistas e criadores da Cultura Popular Brasileira. Mas o apoio de antropólogos, cientistas sociais, intelectuais tem sido muito útil para tentar entender de que é feita a nossa sociedade.
Regionalismo, globalização, estados nação, tradição e fusão, os conceitos não são rasos, mas o antropólogo Ruben George Oliven, doutor pela Universidade de Londres, é professor titular do Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi fundo na sua pesquisa e acaba de relançar o livro A Parte e o Todo: a diversidade cultural no Brasil-nação (Editora Vozes) agraciada com o Prêmio Melhor Obra Científica do Ano concedido pela Associação Brasileira de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais. É um trabalho denso que mereceu o Prêmio Érico Vannucci Mendes por sua contribuição ao estudo da Cultura Brasileira.
Entrevista concedida a Thereza Dantas
Como o Sr. avalia os movimentos regionalistas no mundo globalizado? Os movimentos regionalistas têm crescido ultimamente. À medida que os estados-nações se consolidam e que o mundo se globaliza há uma busca da diferença. No estado-nação, forma política em que o mundo atual está organizado, uma das formas de marcar a diversidade é através da afirmação de identidades regionais. Elas não negam o pertencimento da região à nação, mas enfatizam que a região tem especificidades próprias.
O movimento regionalista não corre o risco de congelar uma cultura e assim não oxigenar, não se transformar e manter-se viva? Qualquer movimento (regional, nacional, religioso, político) corre o risco de congelar uma cultura, uma identidade ou uma forma de viver. Isso tem a ver como o fato de que frequentemente se constrói uma ortodoxia que não aceita posições encaradas como heterodoxas. Mas a vida numa sociedade complexa é marcada por essa constante tensão entre posições diferentes sobre qualquer assunto e as polêmicas e disputas que isso acarreta.
Esse movimento de resgate das tradições favorece as comunidades economicamente? Pode favorecer ou não. Favorece se o resgate das tradições significar um crescimento do turismo, da culinária típica, do artesanato, etc.
Do ponto de vista de nação, esses regionalismos favorecem a construção da identidade? As nações quando estão em fase de construção tendem a enfatizar sua unidade e obscurecer as diferenças. Há uma cobrança de lealdade no sentido de que os cidadãos precisam todos se sentir como fazendo parte de uma grande comunidade que é nacional. Nesse momento não há muito espaço para regionalismos. Foi o que aconteceu durante o Estado Novo no Brasil de 1937-1945. Uma vez consolidada a nação (a fase que o Brasil está vivenciando atualmente) há mais espaço para afirmação de diferenças e o regionalismo é mais bem visto.
Nos grandes centros - Porto Alegre, Rio de Janeiro ou São Paulo, como os regionalismos se manifestam? Em São Paulo e Rio de Janeiro não se vê um renascimento do regionalismo. Isso tem a ver com o fato de que essas duas cidades sempre se consideraram como "centros" do Brasil. Mas em Porto Alegre, que é capital de um estado mais periférico, tem havido um intenso desenvolvimento do regionalismo. É quando o Rio Grande do Sul é um estado predominantemente urbano (80% de sua população vive em cidades) e com uma indústria pujante, que há o renascimento de tradições rurais na cidade. Isso ocorre em outros lugares também. A festa do Peão Boiadeiro ocorre no interior de São Paulo, o estado mais urbano e industrializado do Brasil.
O Sr. considera os movimentos artísticos que incluem a fusão de referências como uma boa resposta a globalização? Penso que não devemos ver os movimentos artísticos apenas como "respostas a" algum fenômeno, como por exemplo a globalização. Movimentos culturais em geral têm uma pulsação própria e não são mera reação a processos sociais.
A cultura popular brasileira é uma cultura de fusão ou de diversidade? A cultura popular brasileira é de fusão e de diversidade. Ela funde diferentes tradições que tem origem tanto populares (festas, religiosidades, etc), como de classe alta (como o futebol e o carnaval, que na sua origem no Brasil eram práticas da elite). A dimensão continental de nosso país e a pujança criativa de nossa população fazem com que haja uma grande diversidade cultural.
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